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Palestras

Segunda-feira (22/10)

           Otimização de Compostos Líderes Visando o Desenvolvimento de Candidatos Clínicos para o                    Tratamento de Doenças Parasitárias Tropicais em Colaboração com a MMV e com a DNDi                     

                                            Prof. Dr. Luiz Carlos Dias

                                           Instituto de Química - Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 

                           

O caminho de transformar uma molécula em um medicamento é longo, cheio de barreiras e requer uma boa dose de disciplina e seriedade. Objetivando o desenvolvimento de fármacos eficazes contra doenças parasitárias tropicais negligenciadas pela indústria farmacêuticas, como malária, doença de Chagas e leishmanioses, a palestra abordará a evolução realizados em parceria com a Medicines for Malaria Venture (MMV) e a Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi).

Estratégias de Química Medicinal na Busca de Novos Anti-Tripanossomatídeos                      

                                                                         

                                                                                Prof. Dr. Gustavo Henrique Goulart Trossini

                      Faculdade de Ciências Farmacêuticas - Universidade de São Paulo (USP)

As doenças negligenciadas são causadas por agentes infecciosos e parasitários como, vírus, bactérias, protozoários e helmintos. Essas doenças são prevalentes em populações de baixa renda que vivem em países em desenvolvimento e são responsáveis por incapacitar e levar milhões de indivíduos à morte. São chamadas de negligenciadas devido à grande relevância médica, acompanhada da pouca atenção dos governos e indústrias farmacêuticas. Dentre estas doenças destacam-se as tripanossomíases, sendo elas doença de Chagas (T. cruzi), doença do sono (T. brucei) e as Leishmanioses (Leishmania sp). A quimioterapia contra essas doenças é antiga, apresenta sérios efeitos adversos, além de serem encontradas cepas resistentes aos fármacos. No caso da doença de Chagas, os dois fármacos disponíveis não são ativos na fase crônica da doença. Este panorama demonstra a necessidade imensa na descoberta de novos agentes quimioterápicos capazes de melhora a condição de vida dos indivíduos infectados. Em geral, tripanossomatídeos possuem um ciclo celular complexo e respondem às diversas circunstâncias ambientais como o organismo de diferentes hospedeiros e vetores. As sirtuínas mostraram-se essenciais para o crescimento in vitro destes parasitas em suas diferentes formas evolutivas. No caso de parasitas como tripanossomatídeos em geral, a superexpressão de Sir2 está relacionada com a sobrevivência de amastigotas. Inibidores de Sir2 como o sirtinol mostraram eficácia como leishmanicidas, e antichagásico em ensaios in vivo. Dessa forma, essas evidências indicam que as Sir2 de tripanossomatídeos podem ser consideradas como alvos biológicos na busca e desenvolvimento de novos fármacos.

Terça-feira (23/10)

                            Prospecção de substâncias com atividade antifúngica                    

                                        

 

 

                                         Prof. Dr. Ana Marisa Fusco Almeida

                                        Faculdade de Ciências Farmacêuticas - Unesp de Araraquara 

 

As infecções fúngicas são responsáveis por afetar milhões de pessoas anualmente, afetando na maioria das vezes a pele e as mucosas. No entanto, elas se tornam um problema mais grave quando o sistema imunológico está comprometido ou quando ganham acesso à circulação sistêmica, sendo responsáveis pelo agravamento de inúmeros casos clínicos. O principal problema relacionado aos antifúngicos refere-se à resistência desenvolvida pelos patógenos, mecanismo desenvolvido pelo microorganismo a fim de impedir a atuação do fármaco e sobreviver à ação dele. Assim, faz-se necessário a busca por substâncias capazes de interferir no metabolismo fúngico e interromper ou ao menos diminuir o número de infecções. Dessa forma, nesta palestra serão apresentados resultados obtidos pelo nosso grupo de pesquisa na busca de protótipos com ação antifúngica.

Micromoléculas oriundas de plantas brasileiras – uma alternativa viável para obtenção de novos compostos com ação antimicrobiana?

 

                                                                                                Prof. Dr. João Henrique Ghilardi Lago

            Centro de Ciências Naturais e Humanas - Universidade Federal do ABC (UFABC)

A flora brasileira, com sua rica biodiversidade e ampla quimiodiversidade, consiste numa fonte praticamente inesgotável de protótipos bioativos. No entanto, a busca de novos quimioterápicos oriundos de micromoléculas de plantas constitui num grande desafio, envolvendo desde a prospecção biológica quanto os estudos químicos e farmacológicos, congregando diferentes pesquisadores em um âmbito interdisciplinar. Nesse contexto, nosso grupo de pesquisa vem trabalhando na busca e seleção de compostos oriundos de espécies vegetais brasileiras, especialmente aquelas oriundas dos biomas de Mata Atlântica e de Cerrado, na busca de protótipos com ação antimicrobiana, especialmente antiparasitária. Nossa abordagem experimental baseia-se primeiramente na seleção da espécie a ser estudada baseada em aspectos etnofarmacológicos. Na sequencia, tem inicio o processo de isolamento e caracterização dos compostos bioativos utilizando-se processos de desreplicação e estudos químicos biomonitorados. Após caracterização, tais compostos bioativos são avaliados quanto a seu potencial in vitro bem como para averiguação dos mecanismos de ação nos alvos biológicos específicos. Devido ao potencial observado nesses estudos, diversos desses compostos são também selecionados para avaliação do potencial in vivo. Nesse contexto, espécies pertencentes às famílias Clusiaceae, Lauraceae, Euphorbiaceae, Asteraceae, Anacardiaceae, dentre outras, foram estudadas possibilitando o isolamento e caracterização de diferentes micromoléculas, dentre as quais terpenos, alcaloides, flavonoides, lignoides entre outros. Desta forma, serão apresentados os resultados de nossos estudos de seleção de produtos naturais oriundos de plantas brasileiras com o objetivo de contribuir para a concepção de novos e seletivos protótipos candidatos a fármacos, principalmente para o tratamento de doenças parasitárias negligenciadas.

Apoio financeiro: FAPESP, CNPq e CAPES

Quarta-feira (24/10)

                                      BZ8: novo fármaco promissor para tratamento da tuberculose

                                            Prof. Dr. Fernando Rogério Pavan

                                           Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFAR) - UNESP de Araraquara 

Tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no mundo. Novos fármacos contra  são necessários devido à complexidade e à toxicidade dos atuais regimes de tratamentos. Há também o maior problema da resistência aos medicamentos para TB. Isso, juntamente com o problema das interações dos atuais medicamentos com os anti-retrovirais em pessoas infectadas com HIV. Nosso grupo sintetizou novos compostos contendo N-óxidos e estudamos seu perfil biológico in vitro e in vivo contra o Mycobacterium tuberculosis. Constatou-se que o Composto 8 (BZ8 -  (E)-6-((2-isonicotinoylhydrazono)methyl)benzo[c][1,2,5]oxadiazole 1-oxide ) é o composto mais promissor, com valores de MIC90 de 1,10 e 6,62 μM contra o Mtb ativo e não-replicante, respectivamente. Adicionalmente, realizamos experimentos in vivo para confirmar a segurança e eficácia do composto 8; verificou-se que o composto é biodisponível oralmente e altamente eficaz, levando a uma redução do M. tuberculosis a níveis indetectáveis ​​num modelo de infecção em camundongos. Estudos iniciais baseados em microarray sobre o mecanismo de ação sugerem que BZ8 bloqueia a tradução. Em conjunto, estes resultados indicam que o derivado de benzofuroxano 8 é um composto promissor para o desenvolvimento de uma nova classe química de fármacos antituberculosos.

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